quinta-feira, 17 de abril de 2014

SURDO CEGUEIRA X DEFICIENCIA MULTIPLA


SURDO CEGUEIRA X DEFICIENCIA MULTIPLA

 

                                                    Lisete Maria Massulini Pigatto[1]

 

                    A inclusão do aluno com surdo cegueira e deficiência múltipla deve ser bem organizada para obter sucesso. Neste informativo se diferencia a surdo cegueira e a Deficiência Múltipla. Relacionando-se algumas características básicas e semelhanças nas estratégias de ensino, destacando suas necessidades básicas e recursos a ser utilizados na turma com colegas.

                    A surdo cegueira é uma condição humana que manifesta outras dificuldades além da cegueira e da surdez. Mc Innes (1999) considera a surdo cegueira uma deficiência única e as divide em quatro categorias: indivíduos cegos que se tornaram surdos; indivíduos surdos e se tornaram cegos; indivíduos que se tornaram surdo cegos; indivíduos que não tiveram a oportunidade de desenvolver linguagem, habilidades comunicativas ou cognitivas nem conceitos para poder construir e compreender o mundo.

                    Estas pessoas podem ter outras deficiências associadas como físicas e intelectuais. Segundo Mc Innes (1999) as pessoas com surdo cegueira tem dificuldade para observar, compreender e imitar o comportamento das pessoas envolvidas devido as perdas visuais e auditivas. Para isso sugere a técnicas onde se coloca a mão sobre a mão da pessoa, deste modo a mão do professor deve ser colocada a cima ou embaixo da mão do aluno para poder orientar os seus movimentos e estabelecer uma comunicação mais condizente.

                    Utilizando esta técnica a defesa tátil pode ser feita na areia, de modo que a pessoa utilize a audição e a visão residual. Porque a perda parcial ou total dos sentidos de distancia faz com que a informação do meio venha entrecortada e sem nexo, tornando-a cada vez mais insegura. Assim torna-se imprescindível um mediador para trazer informações de maneira coerente.

       Para Bosco, Mesquita e Maia (2010) sem os sistemas de comunicação o avanço no desenvolvimento torna-se lento pois para a pessoa surdo cega falta recurso de comunicação para responder bem ao ambiente.      Neste sentido o ambiente deve ser planejado e organizado para que consiga interagir com as pessoas e os objetos. Durante o processo de comunicação o mediador tem a função de antecipar o que, para que e como vai ser realizada aquela atividade, estimulando, motivando e criando oportunidades para que consiga explorar o ambiente, confirmando de alguma maneira suas atitudes.

                    A redução dos estímulos resulta em hábitos substitutivos e inapropriados de auto-estimulação pela pessoa com surdo cegueira como: movimento continuo, balanceio, mexer os dedos na frente dos olhos, olhar fixo para fontes de luz ou uma repetição ritualística. Portanto, sem uma comunicação efetiva na infância tornar-se um adulto com comportamentos inadequados na comunicação como o habito de empurrar ou retirar a mão.

                   Considera-se uma pessoa com deficiência múltipla aquela que tem mais de uma deficiência associada. De acordo com o MEC/SEESP, 2002 trata-se de uma condição heterogênea que identifica diferentes grupos que são afetados no funcionamento individual e no relacionamento social.  As suas características pessoais desafiam profissionais e a escola ao elaborar situações de aprendizagem que favoreçam a inclusão escolar social do aluno.

                    Estes alunos apresentam características especificas e peculiares com necessidades únicas. Para isso se faz necessário dar atenção à comunicação e o posicionamento. Sendo assim, as interações de comunicação e as atividades de aprendizagem devem respeitar a individualidade e a dignidade. Isso se refere às pessoas que possam mediar o seu contato com o meio. O mediador deverá ampliar o conhecimento do mundo ao redor desta pessoa proporcionando autonomia e independência. Para Bosco, Mesquita e Maia (2010) qualquer tentativa de comunicação pode ser um comportamento.

                     Considera-se o corpo parte da realidade humana, portanto favorecer o desenvolvimento do esquema corporal torna-se primordial. A boa adequação postural torna-se indispensável à comunicação. Portanto colocar o aluno sentado numa cadeira de rodas ou deitado para que se comunique é imprescindível. Uma condição que facilita a percepção dos movimentos.

                     Ações que o ajudam a perceber o mundo exterior quando se busca a verticalidade e o ajudam a desenvolver [...] “o equilíbrio postural, a articulação e a harmonização dos seus movimentos; a autonomia em deslocamentos e movimentos; o aperfeiçoamento das coordenações viso motora, motora global e fina; e o desenvolvimento da força muscular.” (BOSCO, MESQUITA, MAIA, 2010 P. 11).

                      Conclui-se que pessoas com surdo cegueira e deficiência múltipla devem aprender a usar as mãos, evitando as estereotipias motoras, para que desenvolvam um sistema estruturado de comunicação. As dificuldades fono-articulatórias, motoras ou neurológicas resultam em prejuízo no processo de simbolização das experiências vivenciais. Sendo assim, cabe à escola e aos profissionais oferecer recursos que favoreçam a aquisição da linguagem estruturada, seja verbal ou estrutural relacionada ao ambiente para ser feliz.

           Sendo assim, o professor deve organizar o Plano do AEE favorecendo a inclusão escolar e social. Para estimular a aquisição da linguagem, o reconhecimento do ambiente, motivando-o a aprender, favorecendo as interações sociais. Este fica prejudicado quando as informações sensoriais e organização do esquema corporal deixam a desejar.

 

Referencias

 

BOSCO, Ismênia C. M. G. .;A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar: surdocegueira e deficiência múltipla/ Ismênia C.M. G. Bosco; Sandra R. S. H. Mesquita; Shirley R. Maia. – Brasília: MEC, Secretaria da Educação Especial; (Fortaleza): Universidade Federal do Ceará, 2010 v. 5. (Coleção A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar).  

      


[1] Lisete Maria Massulini Pigatto é Drª em Ciências da Educação. Atua como Educadora Especial no Sistema Estadual e Municipal de Ensino na Cidade de Santa Maria, RS, Brasil. Onde desenvolve projetos que visam a inclusão escolar e social dos alunos de forma saudável.
Acadêmica de Direito na FADISMA – Faculdade de Direito de Santa Maria.http://www.aee2010.ufc.br/aee/cursos/aplic/index.php?cod_curso=198

domingo, 23 de março de 2014

UMA NOVA PERSPECTIVA NA EDUCAÇÃO GLOBALIZADA


UMA NOVA PERSPECTIVA NA EDUCAÇÃO GLOBALIZADA

                                                              Lisete Maria Massulini Pigatto[1]

 

 

                    Contemporaneamente o mundo transforma-se e requer mudanças no comportamento das pessoas. Para isso no Brasil e no mundo organizam-se novas propostas políticas educacionais e socioeconômicas no intuito de superar a visão fragmentada do homem e da sociedade valorizando a cultura.

           Jose Manuel Fernandes, em nome da Comunidade Europeia aponta estratégias para 2020. Alerta que há inúmeros desafios comuns a vencer no planeta: a globalização, os recursos escassos, as alterações climáticas, o envelhecimento da população, a gestão da migração e a questão da energia. Para vencê-los lançaram as Estratégias Europa 2020, com isso pretende alcançar um crescimento inteligente com investigação inovação, um crescimento sustentável do ponto de vista econômico, ambiental e inclusivo com igualdade de oportunidades. Para alcançar os objetivos estabeleceram cinco metas: o emprego; a investigação, o desenvolvimento e inovação; as alterações climáticas e energia; a educação combate a pobreza e a exclusão social; melhoria na competitividade, promoção emprego e inclusão social.

           Um modelo de gestão que serve para inspirar os países e os blocos. Neste contexto educar volta-se a diversidade e vem atuando numa ordem inclusiva, instigando a participação de todos num processo livre e democrático de cidadania pró-ativa. No intuito de melhorar esta globalização perversa, a educação enfrenta desafios nos campos tecnológico e social. Para isso precisa qualificar professores inovadores capazes de ensinar a aprender.

        Nesta perspectiva vem realizando MOOCs no espaço ibero-americano e mundial via RedDOLAC – Red del Docentes de America Latina y del Caribe, coordenado por Henry Chero V. No inicio do ano de 2014 tivemos a oportunidade de participar do Curso de Métodos y herramientas básicas para Enseñaren la escuela del futuro - MOOC, coordenado pelo Professor Àntonio Reis, Doutor em Ciências da Educação de Portugal. Um evento que contemplou professores do espaço ibero-americano e arredores com saber e tecnologia no intuito de ajudar a humanizar as pessoas neste contexto.

 

 

        O curso aberto foi realizado em linea na web e ofereceu aos docentes do mundo inteiro a oportunidade de ampliar conhecimentos e exercitar a sua co-produção. Nas aulas e nos foros virtuais tivemos a oportunidade debater a importância da comunicação na aprendizagem.

         Participar e organizar reuniões no Doodle, aprender a lidar com Hangout, Skipe, conversor de fusos horários pois moramos em países diferentes e os trabalhos eram em grupo. Inicialmente não foi fácil, mas conseguimos, aprendemos a compartilhar trabalhos no Dropbox e Google Drive. Realizamos diversas viagens virtuais, onde conhecemos as maravilhas e particularidades dos países como o Peru, a Argentina e a Índia.

         Estudamos a evolução do ensino e das tecnologias no ensino presencial e a distancia na perspectiva da escola do futuro até chegar ao novo Modelo ID – Instrucional Design. Comparamos a educação nos diversos países como Ariño primaria y secundaria en Aragón, España; a escola da Corea do Sul; o sistema educativo Finlandés considerado o melhor do mundo. A escola japonesa, a educação socialista em Cuba e a prática efetiva de Portugal.

        Através do Adobe Connect se participou das tutorias, nos debates semanais que abordaram o comunicar, a evolução e o compartilhamento pela tecnologia: o aprender a ensinar, divulgar, ensinar a aprender e a competência que devem ter os professores para lidar com esta perspectiva global. Neste contexto aprender a ensinar requer acesso às novas tecnologias, as metodologias pedagogias, didáticas, ao saber fazer e como as implementar.

        Para conhecer melhor as nossas culturas construímos um Padlet, uma Pizarra colaborativa em grupos com integrantes dos mais diversos países. Uma ousadia inédita e muito divertida realizada pelas alunas Lucía Pineda de Díaz de El Salvador, Lucía Díaz Góngora do México e Lisete Maria Massulini Pigatto do Brasil. Disponível em: http://es.padlet.com/wall/xq6cfm7dnz

        Na web dialogamos sobre aprendizagem colaborativa e como se pensa o ensinar a aprender, seja no ensino presencial ou virtual. Temas de responsabilidade dos professores que devem ser capazes de desenvolver novas habilidades e competências para trabalhar neste processo, o modo de como ensinar a aprender com seus alunos neste contexto no século XXI.

       Neste sentido, o novo modelo social inclusivo requer professores com outro perfil, um profissional ousado, capaz de inovar, de correr riscos, de desenvolver metodologias novas formas de ensinar a aprender e participar de ambientes educacionais colaborativos. Uma pessoa capaz de conscientizar seus alunos sobre o novo mundo, que requer trabalho, dedicação, um aprender constante e concomitante para que se alcance uma vida com qualidade.

 

        Para alcançar estes objetivos o professor precisa ser capaz de sensibilizar os alunos sobre a importância do condutismo e do construtivismo. De modo que estes aprendam a pensar e a transformar a memória de curto prazo em memória permanente para poder ter e ser mais humano nesta aldeia globalizada como previa McLuham (1969) nas novas formas de tribalização. 

        Neste sentido percebe-se que o mundo não é fragmentado e requer uma aprendizagem inovadora, multimodal e permanente de todos os cidadãos. Atualmente aborda-se o conhecimento de forma diferente com acessibilidade. Deste modo às pessoas devem aprender a resolver problemas, a viver e a conviver de forma humanitária. Consequentemente a escola deve acompanhar esta evolução, trabalhar com qualidade e eficácia favorecendo a inclusão.

                     O artigo tem como objetivo analisar a formação dos professores para este mundo globalizado e questiona: - Estamos preparados para ensinar a aprender na escola do futuro? Justifica-se o tema pela necessidade que se tem na busca do perfil adequado a educação do novo modelo social inclusivo que vem se organizando neste mundo contemporâneo que precisa humanizar-se.

        A partir desta experiência no MOOC percebe-se que encontramos um caminho seguro, uma nova forma de aprender. Percebe-se que os problemas educacionais nos países são semelhantes e que necessitam [...] “el desarrollo de politicas, programas y experiências inclusivas que garanticen el derecho de todos los alunos a uma educacíon de calidade junto com sus compañeros de edades similares.” (MARCHESI e GARRIDO, 2014 p. 5) Um enfoque que contempla múltiplas iniciativas e que tem como objetivo oferecer uma educação justa e equitativa a todos que são impossibilitados e tem dificuldade para aprender, que não tem acesso ao conhecimento, a vida digna.

                   Contemporaneamente se aposta numa cidadania multicultural e inclusiva que necessita de impulso do sistema educativo. Na intenção de que o ensino nas escolas atenda as diferenças. Neste novo paradigma a escola inclusiva aposta na participação, prima pelo [...] “respeto mutuo, el apoyo a los que tienen más dificultades de aprendizaje, la sensibilidade y el reconocimento de los grupos minoritários, la confianza y las altas expectativas ante las possibilidades futuras de todos los alunos.” (MARCHESI e GARRIDO, 2014 p. 5) Atua na perspectiva de que todos trabalhem para a educação de qualidade.

                      Educar para a diversidade requer desenvolver escolas inclusivas. Frente à discriminação e a exclusão criar oportunidades consiste no maior desafio do novo modelo social inclusivo de modo que as instituições e a sociedade consigam se organizar para resolver os problemas de forma saudável. Superar estas barreiras requer [...] “promover câmbios substantivos, tanto em el àmbito de las políticas como em la cultura, organización y práticas de las escuelas, com el fin de garantizar el acceso, la permanência, la participación y el aprendizaje de todos los estudiantes.” (BLANCO Y HERNANDEZ, 2014, p.9)   Para que participem em igualdade de condições.

1.    A globalização na formação dos professores.

 

 

 

        O artigo desenvolve as ideias voltadas a formação dos professores na perspectiva da educação inclusiva, porque na realidade de alguma forma sempre estamos excluídos e necessitamos de novas oportunidades educativas, seja presencial ou virtual. Confrontando-as com as exigências do sistema educativo, as dinâmicas sociais e tecnológicas. Destaca-se a importância dos MOOCs na formação dos professores inclusivos, no mundo capitalista que necessita de humanização e compaixão em todas as áreas e setores sociais.

      Antigamente a educação era um privilégio dos mais abastados. Atualmente a inclusão ou a educação inclusiva volta-se para todos aqueles que de uma maneira ou outra se encontram excluídos do sistema. Os índios, quilombolas, afrodescendenstes [...] “com discapacidad o com necessidades educativas especiales, o a quienes vivem em contextos de pobreza, aunque progressivamente se está adoptando um enfoque más amplio” (BLANCO, 2014, p. 12) De modo que se contemple a todos, superando as diferenças pelo acesso equitativo a uma educação de qualidade sem discriminações.

       A UNESCO (2005) entende a educação inclusiva como um processo orientado para atender a diversidade com ênfase naqueles que estão excluídos ou em risco de ser marginalizados. Incrementa a sua participação na cultura, no currículo e nas comunidades no intuito de minimizar a exclusão. Para superar estas barreiras e o preconceito se faz necessário dar um salto [...] “desde la inclusion em la escuela a la inclusion em la aprendizaje para lograr la democratizacíon em el acesso al conocimento, fator chave para la construccion de sociedades más justas y democráticas. (BLANCO, 2014, p. 16)

         Atualmente a Educação Especial, na perspectiva inclusiva atua como serviço complementar no AEE - Atendimento Educacional Especializado na escola ou na classe comum. Pelas suas ações e atividades educativas oferecem possibilidades e oportunidades de inclusão as pessoas com deficiência. Porem, nas turmas há uma diversidade de alunos oriundos de povos afrodescendentes, migrantes, alunos com déficit de atenção, evadidos e marcados pela pobreza. Neste sentido a escola se organiza, planeja e procura atendê-los de acordo com suas necessidades e potencialidades.

       Nesta perspectiva constatam as autoras Rosa Blanco y Laura Hernandez (2014) que educar em e para a diversidade favorece o conhecer e o conviver com as pessoas descapacitadas, de modo que estas em conjunto com os outros possam vivenciar situações e modos de vida distintos. Neste sentido, compromete as pessoas a desenvolver valores de cooperação e solidariedade para que todas as pessoas possam construir sua identidade e ser feliz.

2.         A Escola a Comunidade e a Cidadania.

 

 

       Os Quatro Pilares da Educação um tesouro a descobrir relatados por Jacques de D’Elors (1998) caracterizam-se como os princípios educacionais fundamentais: aprender a conhecer, a fazer, a viver e a ser. Aponta o aprender a conhecer como fundamento essencial ao compreender, conhecer para descobrir que atua como motivador na buscar pelo saber. Sendo assim os processos de aprendizagens requerem que se oportunizem aprender a aprender outros saberes, uma tarefa que engloba toda a existência terrena.

       Pensando na diversidade dos alunos que temos na escola é que se organiza um trabalho diferenciado no Colégio Estadual Coronel Pilar e na EMEF Aracy Barreto Sacchis, disponível em: https://www.facebook.com/groups/552299361472110/ acesso 15/03/2014. A experiência mostra um caminho que favorece a inclusão escolar e social.

                  Neste sentido busca-se uma fundamentação teórica mais segura utilizando o condutismo e o construtivismo num processo para ensinar a aprender. Na visão de António Reis (2014) para aprender de forma eficaz necessita-se do condutismo e do construtivismo. No condutismo o aluno deve parar de pensar enquanto escuta, interessando-se mais pelos aprender a aprender. Ao revisar o construtivismo se percebe que este se preocupou inicialmente com reglas y moldear; somente depois com o enseñar y entrenar, o saber saber e o saber fazer e atualmente interessa-se pelo guiar y apoyar, no modo de como se consolidam as informações e o conhecimento.

       Contemporaneamente estamos em busca de um novo modelo educacional que realmente instigue o como ensinar a aprender, para que as pessoas possam viver e conviver melhor neste novo paradigma globalizado. Percebe-se que o novo modelo social tem como princípios a inclusão, o trabalho e a propriedade privada. Uma proposta democrática que requer respeito participação e exercício de cidadania para que consigam incluir-se.

       Para que o processo inclusivo seja bem sucedido deve considerar o tempo e os espaços sociais as normas e as leis, as particularidades e a cultura de cada sociedade. Em nosso país, as leis e as normas são fundamentais para garantir direitos e deveres, o exercício da cidadania de todas as pessoas.

        Deste modo as pessoas precisam ser estimuladas, motivadas e ter a oportunidade para reivindicar os seus direitos. Cumprir com as suas obrigações, preparando-se deste modo para atuar como cidadãos ativos, capazes de ajudar a melhorar a sociedade de forma justa e equilibrada.    

 

        Nesta perspectiva a escola precisa organizar-se de modo diferente, fazer parceria com as famílias e a comunidade. Organizar ambientes educacionais que instiguem a participação para desenvolver a capacidade perceptivo-cognitiva, reflexiva em todas as áreas do saber. O ambiente escolar tradicional precisa ser melhorado pois não oferece condições às mediações simbólicas com o meio físico e social para todos, não exercita ou provoca a capacidade representativa (DAMAZIO, FERREIRA, 2010). Compromete o pensar dos alunos, a linguagem, os sentidos das pessoas surdas e outras.

                   Concorda-se com Damazio e Ferreira (2010) que o Atendimento Educacional Especializado precisa ser em redes interligadas, sem hierarquização de conteúdos, sem dicotomizações, sem reducionismos, com ações e atividades pedagógicas conectadas pelo pensar e o fazer pedagógico. Sejam estas presenciais ou virtuais de modo que todos consigam aprender. 

        Assim, se faz necessário exercitar o pensamento e a memória para aprender a fazer e exercer com competência uma atividade profissional no mundo do trabalho. Contemporaneamente os avanços tecnológicos modificam as empresas e as relações de trabalho, exigem outras habilidades e competências dos alunos. Para atender esta demanda os professores devem qualificar-se, ser criativos e aprender a lidar com a tecnologia fundamental no processo de ensino aprendizagem que exige novas formas de se educar.

         Para melhorar a educação, a UNESCO lançou um Marco de competencias de los docentes en materia de TIC. Gradativamente as tarefas físicas são substituídas pelas virtuais no intuito de eliminar o papel e o lápis para prevenir o desmatamento, preservar a natureza e o meio ambiente.

        Nesta perspectiva ter consciência da complexidade torna-se fundamental para viver e conviver de forma saudável pois neste contexto se acolhem seres racionais e não tão racionais, “Homo sapiens sapiens demens”, para isso requer um ser humano dialógico (MORIN, 2001) capaz de participar do sistema democrático com acessibilidade há informações relevantes, de modo que todos consigam construir conhecimento se emponderando deles.

        Portanto, aprender apenas a língua de sinais ou o braile não garante uma aprendizagem significativa. Estas pessoas precisam ser respeitadas nas suas limitações e valorizadas nas potencialidades para obter sucesso. .Deste modo o ambiente inclusivo volta-se ao aprender a aprender novos saberes (MORIN, 2001) favorecendo a mediação do professor e assim o aluno transformará as informações em conhecimentos (CAPDET, 2012).

                     Acredita-se que a transformação da escola passa pela melhoria nas práticas pedagógicas inclusivas quando se dispõe a acolher a todos, pelo aprimoramento dos métodos, das técnicas e ferramentas tecnológicas voltadas a escola do futuro. Uma educação que será significativa e a ação pedagógica não ficará restrita ao conhecimento, mas se dará pela ação reflexão.

Considerações Finais

 

 

        O mundo vem se modificando ao longo dos tempos pela educação e pela tecnologia, pela ação reflexão, de modo que as pessoas possam humanizar-se por meio do saber. Neste sentido torna-se necessário qualificar professores para trabalhar na perspectiva inclusiva, acolhendo a todos. De modo que se disponham a aprender a aprender e fazer para lidar com a diversidade, combinar fatores com iniciativa e consigam trabalhar em equipe porque as formas de ganhar a vida vem se tornando variadas e possíveis.

       Neste sentido oportunizar aos alunos uma educação de qualidade que os instigue a aprender concomitantemente em todos os ambientes sejam presenciais ou virtuais. Assim, cabe aos professores descobrir como ensiná-los a aprender melhor de modo que possam modificar o seu comportamento e ter uma participação social mais efetiva nas decisões futuras, melhorando as condições socioeconômicas no país e no mundo com as suas ideias. De modo que se consiga organizar sociedades mais justas igualitárias e felizes.

       O mundo é globalizado e precisamos instiga-los a pensar. Na minha escola além dos conteúdos triviais, trabalha-se com a Educação Fiscal e a Educação para o Trânsito, de modo que gradativamente consigam lidar com as questões da vida e da convivência de forma mais saudável. Portanto incentivar a criatividade, respeitar as potencialidades e as necessidades individuais contribui para um desenvolvimento pessoal de forma intra e interpessoal. 

        Conclui-se que os professores precisam preparar-se para a escola do futuro seguindo a orientação dos princípios educacionais. A escola e as instituições formadoras devem favorecer capacitação aos professores, seja presencial ou virtual. Incentivar motivar e oportunizar a todos que aprendam a viver e a conviver juntos. Exercitando o seu papel no desenvolvimento de conceitos e opiniões para transformar a sociedade. Aproximando as partes, valorizando as diferenças para favorecer uma cultura inclusiva e colaborativa. Portanto, cabe há educação iniciar seus alunos nesta tarefa de modo que consigam resolver problemas e ajudem a construir uma cultura de paz global.

 

 

 

 

 

 

Referencias

 

CAPDET, D. .Aprendizaje Formal e Informal, a cargo de DolorsCapdet. Disponível:https://sas.elluminate.com/site/external/jwsdetect/playback.jnlp?psid=2012-01-11.0852.M.62DFC23DE29EA633E32D1BB63E1D05.vcr&sid=2010449acesso 11 de janeiro 2012.

 

COMPETENCIA EM TIC PARA DOCENTES. ONU, PARIS, SP UNESCO, 2008. Disponível em: http://www.portaleducativo.hn/pdf/Normas_UNESCO_sobre_Competencias_en_TIC_para_Docentes.pdf Acesso 2/03/2014.

 

DAMÀZIO, M F. M.; FERREIRA, J. Atendimento Educacional Especializado em Construção – Curso AEE, UFC, 2014.

 

DELORS, J. Educação um tesouro a descobrir. Cortez, SP, 1998.

 

FERNANDEZ, J. Estratégia Europa 2020. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=ZfZqNtTijvM   acesso10/03/2014.

 

MARCHESI, A; BLANCO, R.; HERNANDEZ,  L. Avances y desafios de la educación inclusiva en Iberoamérica. OEI, 2014. Disponível em: http://www.oei.es/publicaciones/Metas_inclusiva.pdf acesso 12 março 2014.

 

MÉTODOS Y HERRAMIENTAS BÁSICAS PARA ENSEÑAREN LA ESCUELA DEL FUTURO. MOOC. RedDOLAC Disponível em: elearning.thegraal.net/login/index.php  acesso 15/03/2014.

 

MORIN, E. Introdução ao Pensamento Complexo. 3 ed. Lisboa:Piaget. 2001.

_________ Os Sete saberes necessários à educação do futuro. 2001.

REIS, A. Nuevo Modelo ID como enseñar. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=E_DMwGoyC6s acesso 28/02/2014.

 

 

https://docs.google.com/document/d/1aU4IjDjvKPM5d2B5eo8aa5vHsuKkM7emdS9xef7RTCY/edit?usp=sharing

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[1] Lisete Maria Massulini é Dr. Em Ciências da Educação. Atua como Educadora Especial no sistema estadual e municipal de ensino na Cidade de Santa Maria, RS onde desenvolve projetos que visam à inclusão escolar e social dos alunos na diversidade. Acadêmica no Curso de Direito na FADISMA – Faculdade de Direito na Cidade de Santa Maria, RS, Brasil, 2014.
http://www.aee2010.ufc.br/aee/cursos/aplic/index.php?cod_curso=198

sexta-feira, 14 de março de 2014

NOVA PERSPECTIVA INCLUSIVA ÀS PESSOAS COM SURDEZ

NOVA PERSPECTIVA INCLUSIVA ÀS PESSOAS COM SURDEZ

Lisete Maria Massulini Pigatto

 



Contemporaneamente a Educação Especial, na perspectiva inclusiva atua como um serviço complementar no AEE - Atendimento Educacional Especializado na escola ou na classe comum. Oferece novas possibilidades e oportunidades as pessoas com surdez, nos espaços onde a Libras e a Língua Portuguesa escrita são línguas de comunicação e instrução.

Historicamente o embate político, epistemológico entre gestualistas e oralistas ocupou um lugar de destaque na educação das pessoas surdas, associando resultados escolares às suas práticas pedagógicas específicas. Contemporaneamente, a nova política de educação no Brasil organiza-se de forma diferente no intuito de superar a visão fragmentada do homem, da sociedade, da cultura e da linguagem. Atua numa ordem voltada a inclusão para todos, instigando as pessoas a participar na sociedade como cidadãos.

Discorda-se das propostas exclusivas que separam as pessoas com surdez das ouvintes, minimizando o seu potencial. Não se admite mais embates entre gestualistas e oralistas centralizando o problema na língua. Segundo Damazio e Ferreira (2010) O problema da educação das pessoas com surdez não está na língua, mas na qualidade do aprender aprender (MORIN, 2001) e na eficiência das práticas pedagógicas que se aprimoram.

Na visão de António Reis (2014) o construtivismo preocupou-se inicialmente com reglas y moldear; depois com o enseñar y entrenar, o saber saber e o saber fazer e atualmente com interessa-se pelo guiar y apoyar, no modo de como se consolidam as informações e o conhecimento. Neste momento estamos em busca do novo modelo de como ensinar a aprender, para viver e conviver melhor neste novo paradigma globalizado.

Fundamentados nesta teoria de aprendizagem, as pessoas com surdez precisam ser estimuladas a motivadas a reivindicar direitos, a organizar ambientes educacionais que instiguem a participação para desenvolver a capacidade perceptivo-cognitiva, reflexiva exercitando a sua cidadania. O ambiente escolar tradicional precisa ser melhorado, não oferece condições às mediações simbólicas com o meio físico e social para todos e não exercita ou provoca a capacidade representativa (DAMAZIO, FERREIRA, 2010). Compromete o pensar, a linguagem os sentidos das pessoas surdas e outras.



Concorda-se com Damazio e Ferreira (2010), o Atendimento Educacional Especializado às pessoas com surdez precisa ser em redes interligadas, sem hierarquização de conteúdos, sem dicotomizações, sem reducionismos, com ações conectadas pelo pensar e o fazer pedagógico. Deste modo o ambiente inclusivo volta-se ao aprender novos saberes (MORIN, 2001) favorecendo a mediação do professor e assim o aluno transformará as informações em conhecimentos (CAPDET, 2012.

Neste novo modelo social inclusivo a educação tem como princípios fundamentais o aprender a conhecer, a fazer, a viver e a ser, segundo Delors (1998). Nesta perspectiva ter consciência da complexidade torna-se fundamental para viver e conviver de forma saudável. Neste contexto se acolhe seres racionais e não tão racionais, "Homo sapiens sapiens demens", para isso requer um ser humano dialógico (MORIN, 2001) capaz de participar do sistema democrático, que tenham acesso há informações relevantes, de modo que todos consigam construir conhecimento emponderando-se deles. Portanto, aprender apenas a língua de sinais não garante aprendizagem significativa. Estas pessoas precisam ser respeitadas nas suas limitações e valorizadas nas potencialidades para obter sucesso.

Acredita-se que a transformação da escola passa pela melhoria nas práticas pedagógicas inclusivas quando se dispõe a acolher a todos, pelo aprimoramento dos métodos, das técnicas e ferramentas tecnológicas voltadas a escola do futuro. Uma educação neste contexto será mais significativa e a ação pedagógica não ficará tão restrita ao conhecimento, mas se dará pela ação reflexão de forma inter e intrapessoal no meio vivencial melhorando consideravelmente a vida e a convivência dos surdos e de todos os alunos.



Referencias



 

CAPDET, D.Aprendizaje Formal e Informal, a cargo de DolorsCapdet, 2012. Disponível:https://sas.elluminate.com/site/external/jwsdetect/playback.jnlp?psid=2012-01-11.0852.M.62DFC23DE29EA633E32D1BB63E1D05.vcr&sid=2010449acesso 11 de janeiro 2012.



 

DAMÀZIO, M F. M.; FERREIRA, J. Atendimento Educacional Especializado em Construção – Curso AEE, UFC, 2014.



 

DELORS, J. Educação um tesouro a descobrir. Cortez, SP, 1998.



 

MORIN, E. Introdução ao Pensamento Complexo. 3. ed. Lisboa: Inst. Piaget. 2001.



 

_________ Os Sete saberes necessários à educação do futuro. 2001.



 

REIS, A. Curso Métodos y herramientas básicas para Enseñar la escuela de futuro. MOOC, Reddolac, 2014.



 

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Lisete Maria Massulini Pigatto: Ação de Graças na EMEF Aracy Barreto Sacchis.

Lisete Maria Massulini Pigatto: Ação de Graças na EMEF Aracy Barreto Sacchis.




NOVA
PERSPECTIVA INCLUSIVA ÀS PESSOAS COM SURDEZ.
                                                                      Lisete Maria Massulini
Pigatto[1]


         Contemporaneamente a Educação Especial,
na perspectiva inclusiva atua como um serviço complementar no AEE - Atendimento
Educacional Especializado na escola ou na classe comum. Oferecendo novas
possibilidades e oportunidades as pessoas com surdez, nos espaços onde a Libras
e a Língua Portuguesa escrita são línguas de comunicação e instrução.
                  Historicamente o embate político,
epistemológico entre gestualistas e oralistas ocupou um lugar de destaque na
educação das pessoas surdas, associando resultados escolares às suas práticas
pedagógicas específicas. Contemporaneamente, a nova política de educação no
Brasil organiza-se de forma diferente no intuito de superar a visão fragmentada
do homem, da sociedade, da cultura e da linguagem. Atua numa perspectiva
voltada a inclusão para todos, instigando-os para que participem como cidadãos
ativos.
                  Discorda-se das propostas exclusivas
que separam as pessoas com surdez das ouvintes, minimizando o seu potencial. Não
se admite mais embates entre gestualistas e oralistas centralizando o problema
na língua. Segundo Damazio e Ferreira (2010) O problema da educação das pessoas
com surdez não está na língua, mas na qualidade do aprender a aprender (MORIN,
2001) e na eficiência das práticas pedagógicas que se aprimoram.
                
Na visão de António Reis (2014) o construtivismo preocupou-se inicialmente
com reglas y moldear; depois com o enseñar y entrenar, o saber saber e o saber
fazer e atualmente com interessa-se pelo guiar y apoyar, no modo de como se
consolidam as informações e o conhecimento. Neste momento estamos em busca do novo
modelo de como ensinar a aprender, para viver e conviver melhor neste novo
paradigma voltado a globalização.
            Fundamentados nesta teoria de
aprendizagem, as pessoas com surdez precisam ser estimuladas a motivadas a reivindicar
direitos, a organizar ambientes educacionais que instiguem a participação para
desenvolver a capacidade perceptivo-cognitiva, reflexiva exercitando a sua cidadania.
O ambiente escolar tradicional precisa ser melhorado, não oferece condições às
mediações simbólicas com o meio físico e social para todos e não exercita ou
provoca a capacidade representativa (DAMAZIO, FERREIRA, 2010). Compromete o pensar,
a linguagem e os sentidos das pessoas surdas.
                Concorda-se com Damazio e Ferreira (2010), o
Atendimento Educacional Especializado às pessoas com surdez precisa ser em
redes interligadas, sem hierarquização de conteúdos, sem dicotomizações, sem
reducionismos, com ações conectadas pelo pensar e o fazer pedagógico. Deste
modo o ambiente inclusivo volta-se ao aprender a aprender (MORIN, 2001) favorecerá
a mediação do professor e o aluno transformará as informações em conhecimentos,
(CAPDET, 2012) de modo mais saudável.
               Portanto, aprender apenas a língua de
sinais não garante uma aprendizagem significativa. Estas pessoas precisam ser
respeitadas nas limitações e valorizadas nas potencialidades para que obtenham
sucesso na escola e na sociedade. Acredita-se que a transformação da escola
passa pela melhoria das práticas pedagógicas inclusivas, pelo aprimoramento dos
métodos, das técnicas e ferramentas tecnológicas voltadas a escola do futuro.
       Acredita-se que a educação neste
contexto será mais significativa e a ação pedagógica não ficará tão restrita ao
conhecimento, mas se dará pela ação reflexão de forma inter e intrapessoal no
meio vivencial melhorando consideravelmente a vida e a convivência dos surdos e
de todos os alunos.


Referencias


CAPDET,
D.Aprendizaje Formal e Informal, a cargo de DolorsCapdet, 2012.
Disponível:https://sas.elluminate.com/site/external/jwsdetect/playback.jnlp?psid=2012-01-11.0852.M.62DFC23DE29EA633E32D1BB63E1D05.vcr&sid=2010449acesso
11 de janeiro 2012.


DAMÀZIO,
M F. M.; FERREIRA, J. Atendimento Educacional Especializado em Construção –
Curso AEE, UFC, 2014.


MORIN,
E. Introdução ao Pensamento Complexo. 3. ed. Lisboa: Inst. Piaget. 2001.


_________
Os Sete saberes necessários à educação do futuro. 2001.


REIS,
A. Curso Métodos y herramientas básicas para Enseñar la escuela de futuro.
MOOC, Reddolac, 2014.



       












[1]
Lisete Maria Massulini Pigatto, Educadora Especial e Drª em Ciências da
Educação.  Atua no sistema Estadual e
Municipal de Ensino na Cidade de Santa Maria, RS, BR onde se desenvolvem
projetos que visam à inclusão escolar e social de todos os alunos. Acadêmica do
Curso de Direito na FADISMA.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

PROJETO RECREAÇÃO E CIDADANIA - PNAIC 2013


Prefeitura Municipal de Santa Maria
Secretaria de Município de Educação
EMEF Aracy Barreto Sacchis



PROJETO RECREAÇÃO E CIDADANIA - 2013


 DADOS DE IDENTIFICAÇÃO

            Nome da Escola - EMEF Aracy Barreto Sacchis
            Endereço - Rua Silva Jardim
            Telefone - 32177844
            E-mail: aracybarreto@yahoo.com.br
           Blog - http://aracybarretosacchis.blogspot.com.br

            Diretor da escola - Nara Ferreira e Nara Denardin Cardoso
           Coordenadora Pedagógica – Ângela Ribas Hermes
            Organizadora do Projeto: Lisete Maria MassuliniPigatto
            Número de alunos atendidos  -  300
            Número de Professores - 12


As experiências educativas acontecem semanalmente através das atividades organizadas no Projeto Recreação e Cidadania desde 2012 na escola. Tem como objetivo favorecer o desenvolvimento da aprendizagem e da cidadania nos alunos de forma lúdica, recreativa e sistematizada pelo acesso ao saber. Este projeto surge a partir do saber formal, informal, das leituras do mundo, numa dinâmica alegre e divertida que instiga a pensar e agir com criatividade, para que os alunos consigam aprender a viver, conviver com autonomia e dignidade de maneira saudável num mundo com certeza melhor.

O projeto atende os alunos do maternal, da pré-escola, do 1º, 2º, 3º anos do ensino fundamental na escola onde se encontram os AEE – alunos do Atendimento Educacional Especializado incluído. Atendidos semanalmente na sala de apoio individualmente ou em grupo pela Educadora Especial – Lisete.
Numa dinâmica alegre e divertida a proposta favorece o aprender brincando, porque acredita que ao impactar ações de mediação, instiga o aluno a aprender, a exercitar a cidadania desenvolvendo uma educação de qualidade.

O projeto desenvolve-se de acordo com o calendário escolar, os interesses e as necessidades dos alunos e professores. Algumas das experiências fazem parte das minhas descobertas na infância, da forma prazerosa como descobri o gosto pelo aprender e descobrir o mundo. Uma característica presente no fascínio da criança que quer explorá-lo.

Justifica-se o trabalho desenvolvido devido à necessidade que os alunos e professores manifestam em lidar com o paradigma inclusivo. Neste novo modelo social, aprender a aprender (MORIN, 2001) e aprender a fazer e a ser são fundamentais para que possamos participar do sistema democrático de forma saudável. Para isso se faz necessário que tenham acesso à informações, de modo que construam conhecimento emponderando destes.

Assim se justifica a sequencia do Projeto Recreação e Cidadania na escola. Devido os resultados significativos que promovem na aprendizagem e na cidadania com os alunos. A dinâmica instiga-os a pensar, a dialogar e a organizar-se democraticamente. Desenvolvem-se nas salas de aula onde se encontram os alunos AEEs incluídos e nas demais turmas simpatizantes.

Constata-se a sua eficácia pelos resultados significativos que produz. O projeto instiga o desenvolvimento da atenção e da concentração, da reflexão, da aprendizagem e da cidadania pelos temas ousados que trabalha de forma: lúdica, recreativa e sistematizada para que se tornem cidadãos participativos.

Neste novo modelo social, aprender a aprender (MORIN, 2001) e aprender a fazer são fundamentais para que se participe no sistema democrático de forma saudável. Para isso se faz necessário que tenham acesso a informações, as leituras do mundo, de modo que sejam capazes de transformá-las em conhecimentos, emponderando-se para “ser um cidadão”.

A proposta pedagógica fundamenta-se nas Metas Educativas para 2021, nas ideias de Paulo Freire (1921 - 1997) de Jean Piaget (1896 - 1980) e Lev Vygotsky (1896 – 1934) no intuito de investigar como acontece a aprendizagem contemporaneamente de forma alegre divertida sistematizada e saudável.

As Metas Educativas para 2021 foram editada pela Organización de Estados Iberoamericanos para la Educación, la Ciencia y la Cultura (OEI), Madrid, España. Contempla a proposta e significa o projeto coletivo abordando os Objetivos do Milênio, a Declaração Mundial de Educação para todos a antesala das Metas Educativas 2021 impulsionando as agendas educativas.

Este documento aponta avanços e culminância educativa no intuito de minimizar a pobreza, desigualdade, exclusão e transmissão intergeneracional. Para isso faz um aporte na relação entre a educação pós-secundária e o entorno laboral porque este se trata do tema central na vida produtiva de um país e na formação dos professores [...] “lo cierto es que tende a haber entre ambos más una tensión que una convivencia equilibrada. En efecto, lo que se observa es una falta de sincronización entre los esfuerzos de los sistemas educacionales y las necesidades del mundo laboral” (UNESCO/OREALC, 2007b), in Metas Educativas para 2021 (p. 50).Entre a teoria prática e contexto.

Atualmente as escolas inclusivas e integradoras, encontram-se abertas a todos os alumnos, [...] “en las que lamarginación y la intolerancia están desterradas, son, pues, el horizonte deseable al que es justo aspirar.

El respeto a las diferencias se aprende desde pequeños, convivendo y apreciando a aquellos que manifiestan mayores diferencias. (METAS EDUCATIVAS 2010, p. 96) Neste sentido, a integração dos alunos especiais é uma opção de valor. “La convivencia de todos los niños, capaces y menos capaces, aporta una experiencia enriquecedora y fomenta la comprensión y la solidaridad. (METAS EDUCATIVAS 2010, p. 97) Uma formação na diversidade.

Portanto, [...] “la ciudadanía se vive en los barrios y en las ciudades, por lo que la interacción con el entorno urbano se convierte en la principal estratégia de uma nueva concepción de la educación.  Apenas o esforço dos municípios para melhorar o âmbito escolar não será suficiente, a cidade precisa estar consciente nas decisões para a educação ter efeito. Deste modo precisa-se garantir a participação dos municípios [...] “en la acción educadora es tal vez la más importante para una nueva concepción de la educación que amplíe su concepción escolar.” (METAS EDUCATIVAS 2010, p. 87) A escola, as famílias e participação social são imprescindíveis, nessas interações encontra-se valores, se aprende comportamentos e as crianças adquirem visão de mundo.

Paulo Freire em seu Livro “A Importância do Ato de Ler” (1989) afirma que a leitura do mundo antecede a leitura da palavra. Porque todos trazem consigo a sua experiência pessoal, de vida e convivência. Na Pedagogia da Autonomia (1996) aborda os saberes indispensáveis à prática docente aos educadores críticos, progressistas e conservadores. Instigando-os a reflexão, porque é na pratica educativa que se ampliam os saberes capazes de melhorar os seres humanos. Na sua concepção, acredita que o sujeito deve assumir-se como sujeito e perceber que [...] “ensinar não é só transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção”. (FREIRE, 2007, p.12) Precisam criar oportunidades de aprendizagem.

Para Vygotsky (1962), a linguagem escrita se desenvolve a partir da linguagem falada. “Entretanto seu processo de evolução, a linguagem escrita se torna uma função independente e autônoma com uma estrutura e um funcionamento próprio, que são caracterizados especialmente por seus aspectos voluntários e conscientes.” (FIGUEIREDO, 2012 p. 23). A diferença entre a linguagem oral e a escrita reside na maneira como é apresentada, na  escrita há forma material enquanto na oral a manifestação espontânea.

O desenvolvimento do conhecimento sobre linguagem e escrita se efetua a partir das atividades da criança. Segundo Vygotsky (1984), a evolução da linguagem escrita se produz quando a criança descobre que pode desenhar objetos e palavras. “Os diversos simbolismos presentes nos gestos, jogo simbólico no desenho e na fala e na escrita prenunciam o desenvolvimento da língua escrita, porque indicam a formação do símbolo e do signo na criança.” (FIGUEIREDO 2012, p. 24) Neste sentido passa a representar o mundo.

Um desenvolvimento que decorre do processo de assimilação e acomodação como preconizava Jean Piaget in Moreira (1999) Embora antiga a concepção de que o conhecimento humano trata-se da construção do próprio homem, Piaget apresenta o enfoque construtivista na cognição humana através da teoria construtivista do desenvolvimento cognitivo humano.

Apresenta alguns conceitos como assimilação, acomodação e equilibração caracterizados como períodos no desenvolvimento mental da criança. Na sua teoria apresenta quatro períodos de desenvolvimento cognitivo: o sensório-motor que vai do nascimento aos dois anos de idade, onde a referência é o corpo da criança, decorrendo disso o egocentrismo. A partir do nascimento passa por diversos estágios e no fim do período sensório-motor descentraliza as ações em relação ao corpo e passa a considerá-lo como objeto. (MOREIRA, 1999) No pré-operacional, que se estende dos dois aos seis ou sete anos, pela linguagem dos símbolos e imagens mentais inicia uma nova etapa do desenvolvimento mental, o pensamento começa a organizar-se logicamente. Entre os 7 e 8 anos, inicia-se o período operacional-concreto que se estende até os 12 anos. O egocentrismo cede lugar à competência linguística e a capacidade cognitiva desempenha um papel importante na aquisição da linguagem e escrita ampliando a capacidade para viver, conviver.

A metodologia adotada fundamenta-se em Carr e Kemmis (1988) numa relação dialógica dialética. A partir da tese e do antagonismo da antítese, surge à síntese gerando um novo elemento capaz de impulsionar o processo histórico sinergicamente. Nesta perspectiva [...] “no hay manera imparcial de demonstrar la superioridade de um paradigma sobre ningún outro” y ”las teorias simpre estan contaminadas” por lãs creencias y valores de la comunidade investigadora y sempre son, por conseguinte, produtos sociales”. (CARR y KEMMIS, 1988, p. 88)

Assim se justifica a sequencia do Projeto Recreação e Cidadania na escola, devido os resultados significativos que vem promovendo no desenvolvimento da aprendizagem e na cidadania com os alunos. A dinâmica instiga-os a pensar, a dialogar e a organizar-se numa perspectiva democrática. Instiga-os a aprender a viver e a conviver com o outro de forma saudável.

Neste sentido sensibilizar os alunos e a comunidade sobre a importância do aprender a aprender para ser um cidadão ativo, participativo é buscar qualidade de vida. Assim, torna-se fundamental planejar, reorganizar as atividades socioeducativas de forma alternativa e interativa para ter sucesso.

O projeto desenvolveu-se na escola num trabalho em abdocência. Numa nova proposta educacional onde os professores e a educadora especial trabalham em conjunto. Numa nova pedagogia que instigou o aluno a pensar e a construir o seu conhecimento. Nesta metodologia se descobriu um caminho seguro a seguir, o aprender a ser característica da educação com qualidade.

Neste ano desenvolveram várias habilidades ao comparar e perceber a realidade. Melhorou a atenção, a concentração, a motricidade ampla e fina; aprimorou-se a leitura, a escrita, a interpretação, o desenho; descobriram talentos com criatividade, aprenderam a ver o mundo de diversas formas, a sentir a perceber as coisas e os fatos de várias perspectivas. O mais importante, conseguiram perceber o outro e assim estamos aprendendo a nos humanizar pelo saber, aprendendo a viver e a conviver melhor na sociedade. O projeto segue o planejamento do quadro abaixo, documentado com fotografias e disponível em: http://aracybarretosacchis.blogspot.com.br


CRONOGRAMA DAS ATIVIDADES


Mês
Atividades
Objetivos
Março
- Semana da mulher
- Palhaço Carequinha
- Vídeo Patati Patata

- Quando Jesus passar
- Descobrir qual a mulher mais importante na vida;
- Conhecer e reconhecer o Palhaço Carequinha;
- Desenvolver a habilidade de comparar o palhaço do passado com do presente, expectativas de futuro;
- Significado do Domingo de Ramos e da Páscoa
Abril
- Academia
- Chapeuzinho Vermelho
- Sorobã e Material Dourado
- Livro - Quero ser rico.
- NFG – Direitos e deveres
- despertar o gosto pela atividade física;
- A importância dos contos de fada – funk;
- Trabalhar a unidade, dezena e centena;
- Sensibilizar os alunos sobre o Braile e os conceitos;
- Divulgar a campanha, os direitos e deveres;
Maio
- Rei e Rainha
- Imembuí e mapa mental
- Música verde – Aline Barros
- Bilú e João
- Cantar para a mãe no seu dia;
- Divulgar a estória da Imembuí e SMA;
- Associar combinação das cores com as frutas;
- Refletir sobre o abandono das crianças nas favelas;
Junho
- Tarantela e Bella Tchão
- Educação Fiscal
- Festas Juninas
- Brincadeiras Juninas
- Conhecer a alegria da cultura Italiana;
- Conhecer Educação Fiscal e pintar o Cid Legal;
- Resgatar as tradições e as danças Festas Juninas;
- Corridas com saco, segurando as pernas do outro;
Julho
- Maluco Beleza e fantasias
- Rock e notas musicas
- Ler, interpretar cantar e refletir sobre os malucos;
- Assistir o vídeo para conhecer as notas musicais;
Agosto
- Pais
- Cidadania
- Sepé Tiarajú
- Semana da Inclusão
- Banco na Escola
- Música – Esse cara sou eu; diversos ritmos;
 -Revistas Sesinho e os 8 objetivos do milênio;
- Conhecer a historia do herói missioneiro;
-;Andar de bengala, cadeira de rosa e outros
- Conhecer a moeda e as principais operações;
Setembro
- Semana da Pátria
- Boas Maneiras Turma da Mônica
- Semana Farroupilha
- Mãos e tinta
- Musica Soldadinho;
- Trabalhar o comportamento e o trânsito;
- Cultuar as tradições gaúchas;
- Despertar a criatividade e os sentidos;
Outubro
- Salsa e Merengue com chica yeye
- Semana da Criança
- Sitio do Zé Valente quebra cabeça
- Curso Educação Inclusiva
- Conhecer outros ritmos e danças;
- Semana da Criança com jogos e brincadeiras;
- Descobrir como nascem as plantas e os animais;
- Formação de professores e gestores;
Novembro
- Hallowen;
- A Festa no Céu
- Ação de Graças
- O Chuveiro as mãos Patati Patata
- Natal Branco
- Resgatar a estória e a historia valorizando a vida;
- Conhecer o samba e outros ritmos a partir do livro;
- Agradecer a Deus pelos benefícios recebidos;
- Reconhecer a importância da higiene para a saúde;
- Música com Libras e encerramento do projeto.

Referencias
CARR, W e KEMMIS, S. Teoria Crítica de la Ensenanza: Investigación-accionenlaFormacióndel Professorado.Barcelona: Martinez Roca. 1988.
FIGUEIREDO, Rita V. Leitura, Cognição e Deficiência Intelectual. In: Deficiência Intelectual: cognição e leitura. Fortaleza (CE): Edições UFC, 2012 , Pag.15 43.
FREIRE, Paulo, 1921 –  A  importância do ato de ler: em três artigos que se completam / Paulo Freire. –São Paulo: Autores Associados: Cortez, 1989. (Coleção polêmicas donosso tempo; 4)
METAS EDUCATIVAS 2021. Organización de Estados Iberoamericanos para la Educación, la Ciencia y la Cultura (OEI). 2010 Disponível em: http://oei.org.br/pdf/metas2021-TEXTOfinal.pdf Acesso 10/10/2013
MOREIRA, M. A. Teorias de Aprendizagem. São Paulo: Editora Pedagógica e Universitária, 1999
MORIN, E. Introdução ao Pensamento Complexo. 3. ed. Lisboa: Inst. Piaget. 2001.

_________ Os Sete saberes necessários à educação do futuro. 2001.



http://www.aee2010.ufc.br/aee/cursos/aplic/index.php?cod_curso=198